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by Publicação Comunitária
As reclusas no E.P. de Tires continuam a protestar pelos seus direitos, contra o esquecimento e abandono, maus tratos, violência e ameaças, más condições de saúde, lutando contra o que relatam como condições sub-humanas e ambiente de miséria e terror na prisão em Portugal. Recentemente escrevemos um artigo em que tentamos demonstrar e expor a situação, que pode ser lido aqui.
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Me encontro detida no estabelecimento prisional de Tires.
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Venho através desta carta relatar a minha total revolta com a Embaixada brasileira que não move uma palha por nenhuma de nós que aqui se encontram. Ganham com a cabeça de cada brasileira que tem aqui dentro, e nem sequer fazem uma visita pra saber ao menos o estado de saúde em que cada uma se encontra.
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Na verdade até fizeram depois das queixas que começamos a fazer, depois de vários abaixo assinados que começamos a mandar relatando a situação que nos encontramos aqui dentro. Mas também não resolveram nada. E ainda nos aconselharam a &8220;parar com os nossos protestos&8221; como se quisessem passar pano pra alguém e calar a nossa voz Somos reclusas mas entendemos de lei, entendemos de direitos.
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E o que não entendemos procuramos pesquisar, estudar, seja com advogados, ou até mesmo com os nossos familiares que estão lá fora correndo junto com cada uma de nós.
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Aqui nenhuma tem medo de represália ou de ameaça e nós vamos até ao fim na nossa luta batendo de frente com quem for. E se tiver falhando em questão de direito nosso, também vai pra roda.
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Portugal com sistemas prisionais super lotados e todo(a)s em uma grande desumanização, uma precariedade em questão de alimentação, higiene básica, assistência médica. Não há produtos de limpeza nem para o próprio presídio. As mulheres da limpeza passam pano com água para o chão, nem uma lixívia para desinfetar o chão tem, tribunais e advogados de férias, guardas prisionais de greve, por falta de pessoal.
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Aos guardas prisionais do E.P. Tires em greve. Temos apenas 5 minutos de ligação cada uma das reclusas portuguesas, todas sem julgamento, sem visita, sem médico, escola, curso, trabalho, etc. Tudo parado.
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Nós brasileiras não temos visita e o único meio que temos de ver os nossos familiares é através da chamada de vídeo, pelo (webex) que sempre foi uma vez ao mês, porém tínhamos 40 minutos que foram reduzidos para vinte minutos e por super-lotação no E.P. algumas estão ficando sem o benefício, e pior na greve nem temos direito.
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A lei de portugal não condiz com as leis da união europeia?
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A pena de portugal para (correio) é como para a de um traficante cabecilha de 4 a 12 anos de prisão. Mas para quem não tem dinheiro, como nós, fica fácil nos segurar aqui, e colocar em trabalho escravo.
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Sim! Trabalho escravo!
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Pois pagam quanto querem, quando querem colocam as mulheres para trabalharem sobre pressão, e a todo o vapor. Os primeiros dois meses não recebem e ficam caladas pois precisam, para ao menos comprar um absorvente, produtos para limpar celas e um biscato, para não dormir com fome. Sim! Porque além de tudo ficam 3, 4 dias sem comer, por conta da lavagem que nos dão aqui.
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Se já estamos expulsas porque o Brasil não se responsabiliza?
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Porque Portugal não nos mandou para o nosso país?
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Porque o Brasil não nos representa?
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Temos tanto orgulho do nosso país, somos unidas aqui dentro, ajudamos umas as outras, e até os nossos familiares se uniram aí fora, e por um erro, o Brasil nos abandona? Não nos assiste?
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Porquê? Cantamos o nosso hino brasileiro aqui com tanto orgulho, oramos juntas e temos a certeza de que deus está connosco nessa luta.
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Os órgãos são feitos de pessoas, e assim como tem aqueles que se prontificam em nos ajudar, também tem aquelas pessoas que são contra nós. Pessoas compráveis que só olham para o próprio favorecimento. Aqui nós passamos um inferno que só deus e nós sabemos como é.
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24 sobre 7 matamos um leão por dia. Sofremos racismo, discriminação, xenofobia, falta de atendimento, omissão de socorro, humilhação por parte de guardas, má alimentação e ainda temos que cumprir uma pena como se fossemos cabecilha do tráfico em um país que não é o nosso. Me encontro aqui há 1 ano e 6 meses.
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A embaixada brasileira &8220;NUNCA&8221; veio fazer uma visita. Os outros órgãos que são representantes de outras reclusas estrangeiras, comparecem aqui, e dão toda assistência necessária. A embaixada brasileira não ajuda as reclusas, nem com um kit de higiene básica. Existem muitas reclusas brasileiras aqui que não tem carregamento porque muitas vezes a família não tem condições financeiras, sobrevivem de doações de outras reclusas, porque nem o próprio E.P. ajuda.
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A Embaixada brasileira é uma vergonha. Estão com a desculpa de que não há queixa das reclusas brasileiras, mas agora está aqui.
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A comida desse EP é crua, fria, encontramos coisas nos pratos, o atendimento médico é péssimo, não temos médico, enfermeiro que é obrigatório ter 24 horas, após 21 horas, já não tem mais, eu fui chamada para o clínico geral depois de um ano que já me encontrava aqui. Não a ginecologista, sofremos com omissão de socorro. Já vimos mulheres quase a morrerem dentro da cela e as guardas não fazerem nada. Nós como somos umas pelas outras começamos a gritar todas e a baterem nas portas pedindo ajuda, as guardas aparecem e ofendem a gente. Houve casos de reclusas serem agredidas por guardas do sexo masculino.
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A nossa família faz um esforço tremendo para mandar uma quantia para podermos sobreviver aqui dentro, e toda quinzena e dinheiro que some, e dinheiro que não sobe,elas não nos dão uma explicação de uma coisa que e nossa,e quando vamos atrás levamos com porta na cara,xingos, ofensas, e sabemos que e de propósito porque quando uma das reclusas envolve um familiar ou um advogado que coloca elas contra a parede, elas rapidamente resolvem a situação, são educadas, prestativas, chega fala fino.
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Aqui somos tratadas como bicho, como um bando de animais. Queremos a nossa transferência,não queremos fugir às nossas responsabilidades, mas queremos respeito, sabemos dos nossos direitos e queremos ser ouvidos.
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Vamos continuar com protestos,mandando cartas, áudios, abaixo assinados e o que mais for preciso e ninguém vai passar batido.
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Venho de um bairro pobre do estado de São Paulo, no Brasil. Escrevo essa carta a próprio punho, sem medo e sem receio nenhum do que possa vir a acontecer comigo, estou aqui dando voz a muitas brasileiras que tem medo de ir contra o sistema de dizer o sofrimento e o descaso que Portugal. A embaixada brasileira alega que falta queixa de reclusas, mas aqui estamos nós juntas e fechadas nessa situação.
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Então! Embaixada Brasileira, criem vergonha na cara de vocês, e parem de ficar arrumando desculpa para o serviço que vocês não faz!
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Vocês só comparecem ao presídio por obrigação, quando sentem que o arco de vocês está fechando e quando comparecem falam com 2,3 mulheres que as guardas do EP Tires coloca para conversa com vocês, porque sabem que vão favorecer o EP, se apresentem aqui peça para falar comigo Gabrielle, que me encontro a mais de 01 ano e vocês nunca deram assistência nenhuma.
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Parem de olhar só para o bolso de vocês, olhem por nós, para nós. Parem de tentar calar a gente pelo fato de que se a bomba explodir a mordomia de vocês acaba. E queixa que vocês querem, é queixa que vocês vão ter! Se apresentem e peça para falar com meninas que não trabalham, que estão no protesto e que dão nomes, com as reclusas que têm queixa contra EP Tires.
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Somos seres humanos, temos família, temos estudo, aqui ninguém é animal ou indigente não!
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(&8230;) Entrei aqui no EP de Tires em 2022, aqui fui informada que teria assistência da embaixada Brasileira, mas isso nunca aconteceu, nem me deram assistência com o básico, produtos de higiene comparada com a embaixada de colegas de outros países.
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No meu caso estou em busca da minha transferência, já estou a 1 ano e 2 meses, já fui julgada e meu nome está na lista do abaixo assinado onde pedimos ajuda na transferência e a embaixada não se manifesta.
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Estou farta do tratamento porco deste lugar e já não tenho a quem recorrer, comida crua, gelada com cabelo como se fosse servidas a porcos.
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Embaixada não se move para doar se quer um absorvente, sabonete, desodorante ou uma pasta de dentes.
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Tenho filho de 7 anos, minha mãe descobriu câncer de mama, já tentei tirar minha própria vida, meu pai já tinha alzheimer quando fiz essa viagem achando que iria ajudar, mas só piorei as coisas.
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Sobre o carregamento nossos familiares mandam com tanta dificuldade, 06/2023 era pra cair 42 euros e só caiu 36 euros, após muita reclamações e ligacão da minha família para o EP colocaram no carregamento seguinte, outras vezes nem cai o carregamento e temos que esperar 15 dias o próximo para poder comprar produtos de limpeza para lavar cela e comprar algo para comer.
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Nisso tudo a visita da embaixada e um apoio ajudaria, pois como dizem as guardas somos sozinhas sobre nossos representantes e por isso não temos nenhuma melhoria.
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Escrevo esta missiva para dar a minha opinião.
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Eu, com dupla nacionalidade venho com este meio indignar-me com o comportamento vergonhoso da Embaixada Brasileira. Eu sou Angolana e a minha embaixada de 15 em 15 dias desloca-se ao estabelecimento Prisional de tires com um kit de Higiene Feminino com Qualidade que serve para um mês composta por Champôs de 1 litro, 2 Gel de Banho, 2 Sabonete, 4 Pastas de Dente, 4 Escovas de dente, 4 Sabão, 2 Barras Grandes 2 Amaciadores e 4 cremes para o corpo e nos outros 15 dias é para conversarmos saber se está tudo Bem e se necessário fazer a nossa ligação com a família trazem também Roupa e Sapatos para quem necessita. temos tambḿ o nº de um ADVOGADO que podemos ligar a qualquer hora e ele apresenta-se logo para nos representar. Tenho muito orgulho de ser e de me sentir Angolana, da minha Bandeira Angolana. Sei que o Brasil também é um país jovem como Angola, mas tem dimensões Continentais e estamos a crescer como países e o vosso lema é &8220;Ordem e Progresso&8221;. Aonde é que ele está vejo as minhas camaradas Desamparadas Sem Apoio, Sem Rumo é aquela expressão &8220;ser Brasileiro com muito Orgulho&8221; aonde fica estão num país que não conhecem a forma de ser os hábitos são muito diferentes, a única coisa comum é a língua e mesmo assim não é tão igual assim&8230;
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Cada Real que cada Brasileiro desconta, que cada Brasileiro desconta com o seu suor do seu trabalho é para ser usado nessas situações de dar Apoio. E não andarem por aí de festas em festas a comer canapés, nas festas do croquete, no bom e no melhor a viajarem e a irem as compras nas melhores lojas. Se ao menos mostrassem trabalho e apoiassem as vossas conterrâneas&8230; Penso que o tempo do franco já acabou. Sabendo vocês que só arriscam a vida de viajarem e traficarem serem apanhadas, deixarem filhos e família para trás por O Seu país não lhes dá trabalho, não lhes Segurança não lhes dá um futuro e é uma cambada de corruptos. Com o pulmão do mundo.
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Peço imensa desculpa mas é o que me vai na Alma.
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Pois a Ditadura já acabou para o ano vai se fazer 50 anos do 25 de Abril e parece que estamos no tempo da PIDE DGS,
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no tempo da Prisão do Cadava. Tiraram-nos a Liberdade mas não a dignidade nem a voz. Não temos condições. São condições SubHumanas no séc. XXI. A nossa alimentação é uma alimentação de 3º mundo. Espero que não caia no vazio o meu testemunho e que o Abate de um Árvore que esta folha provocou não seja em vão.
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Os meus cumprimentos, Atenciosamente
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Aconselhamos a todes que visitem o website das Vozes de Dentro onde muitas outras cartas têm sido publicadas.
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