Lusa: 18 de Outubro de 2025
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<strong>Activistas e moradores do Zambujal juntam-se em homenagem a Odair Moniz</strong>
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Cabo-verdiano de 43 anos foi morto pelas autoridades a 21 de outubro de 2024 no bairro da Cova da Moura.
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Um grupo de activistas com apoios de moradores no bairro do Zambujal, Amadora, inaugurou, este sábado, um mural de homenagem a Odair Moniz, morto há um ano pela polícia, um caso que levou aos protestos dos bairros periféricos de Lisboa.
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Entre um almoço, música e alguns discursos, os activistas no movimento Vida Justa e moradores do bairro social juntaram-se para a homenagem ao imigrante cabo-verdiano de 43 anos, morto pelas <a href="https://www.publico.pt/2025/10/15/sociedade/noticia/odair-moniz-ha-policias-arguidos-acusados-mentir-mp-arquiva-falsificacao-auto-2150810?ref=odair-moniz&cx=page__content">autoridades</a> a 21 de Outubro de 2024, que incluiu um grande mural numa parede de um prédio, no qual figuram também outros três jovens do bairro, que morreram novos.
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Um deles, Carlos Reis (conhecido por PTB) foi morto em 2003 num outro caso de <a href="https://www.publico.pt/2024/10/27/sociedade/entrevista/nao-primeira-policia-mata-explicacao-historia-mal-contada-2109615">violência policial</a>, que os moradores quiseram recordar.
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Os <a href="https://www.publico.pt/2024/10/30/sociedade/noticia/140-ocorrencias-23-detidos-tumultos-area-metropolitana-lisboa-desde-dia-21-2110004">tumultos</a> que se realizaram há um ano, dos quais o movimento Vida Justa se demarca, estão relacionados com a figura de <a href="https://www.publico.pt/odair-moniz">Odair Moniz</a>.
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&8220;Era uma pessoa muito querida, não só na nossa Comunidade, mas em várias comunidades&8221; da zona, afirmou José Carlos, um dos promotores da iniciativa. A acção policial tem sido uma &8220;reincidência de comportamento&8221; que se torna agressivo contra os moradores do bairro, disse José Carlos.
</p><figure data-media-action="modal" aria-label="media"><figcaption class="caption">José Sena Goulão/Lusa</figcaption></figure>
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Aqui, &8220;as intervenções policiais são realizadas de um modo distinto e é um bocado mais agressivo e realmente isso também é um factor que incomoda&8221;, afirmou o activista, que integra o colectivo Vida Justa.
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&8220;Aproveitamos a homenagem, para homenagear outros jovens que o bairro perdeu e isto também é uma forma de mostrar que os bairros não são só a imagem de violência que os &8220;<em>media</em> passam&8221;, afirmou José Carlos, que integra ainda o projecto ZambujArte, responsável pela pintura de vários murais no bairro.
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&8220;Pessoas que existem aqui no <a href="https://www.publico.pt/2024/10/26/sociedade/reportagem/nome-odair-implorouse-olhe-bairros-pais-vai-abaixo-2109568">bairro</a> e que são talentosas e criativas e queremos mostrar a boa imagem do bairro&8221;, ao contrário do que &8220;passa no telejornal, em que só enfocam naquilo que é negativo&8221;.
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Em paralelo, os activistas distribuíram um pequeno livro intitulado &8220;Manual de Sobrevivência a Intervenções Policiais&8221;, com a descrição dos direitos dos cidadãos e daquilo que deve ser o comportamento das autoridades, que &8220;muitas vezes não é cumprido&8221;.
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O texto foi construído sob a forma de diálogo, indicando quando é que a polícia pode identificar, os procedimentos adequados, o tempo de detenção ou como funcionam as revistas.
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O activista Ricardo Sequeira considerou que o comportamento das forças de segurança não tem mudado. &8220;Semana sim, semana sim, estamos a ver agressões das autoridades&8221;, afirmou Ricardo Sequeira, morador em Mem Martins, embora salientando que a morte de Odair Moniz trouxe uma &8220;nova consciência social aos bairros&8221;.
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A <a href="https://www.publico.pt/2024/10/21/sociedade/noticia/homem-morre-hospital-baleado-psp-bairro-cova-moura-2108742">morte</a> de Odair Moniz foi uma &8220;demonstração daquilo que já sabia existir e houve uma vontade geral de responder&8221;, porque &8220;as coisas não podem ser assim&8221; e as autoridades não podem sair impunes, afirmou Ricardo Sequeira.
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Por isso, a criação do manual também resulta de uma &8220;estratégia de consciência e de sobrevivência&8221; por parte dos moradores dos bairros sociais e das periferias de Lisboa, acrescentou.
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